Os Desafios Ocultos da Lei Antidesmatamento da UE: O Que Você Precisa Saber!
Opinião sobre a Regulação Europeia de Desmatamento
As mudanças climáticas representam um dos desafios mais significativos da atualidade, e a falta de um acordo global efetivo para combater o desmatamento é uma preocupação crescente. Recentemente, as discussões sobre iniciativas como o “Tropical Forest Forever Facility” (TFFF) e o “Model Forest Act Initiative” (MoFAI) durante a COP 30 despertaram esperanças, mas ainda falta um pacto internacional consolidado. Em resposta a essa lacuna, a União Europeia (UE) adotou unilateralmente a European Deforestation-Free Regulation (EUDR), uma lei antidesmatamento.
A EUDR visa reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) e a perda de biodiversidade, estabelecendo normas para a comercialização de sete commodities: gado, cacau, café, óleo de palma, borracha, soja e madeira. Embora a lei tenha sido promulgada em 2023, suas obrigações só começarão a ser aplicadas efetivamente em dezembro de 2025, com algumas exceções para pequenas e médias empresas.
No entanto, países em desenvolvimento que produzem essas commodities estão preocupados com possíveis repercussões econômicas. As normas da EUDR não se aplicam diretamente fora da UE, mas para acessar o mercado europeu, esses países precisam se alinhar às novas regulamentações. O Brasil, em particular, está atento a essa questão, dado seu papel central como exportador desses produtos e a presença da Floresta Amazônica, uma das mais importantes do mundo.
A preservação dessa floresta é de vital importância, pois, segundo dados nacionais, a categoria de uso da terra, que inclui desmatamento, é responsável pela maior parte das emissões brasileiras de GEE. Portanto, o Brasil vê a proteção de suas florestas como prioridade.
A adaptação à EUDR apresenta desafios em dois principais aspectos: conceituais e de implementação. No primeiro grupo, destacam-se a falta de definições claras e critérios no texto da lei. Já em relação à implementação, há dificuldades com a documentação de apoio e a aceitação de métodos de monitoramento e rastreabilidade utilizados em outros países. Esses obstáculos podem criar inseguranças sobre como cumprir a norma, o que dificulta a ação efetiva dos setores envolvidos.
Mesmo com a aproximação da plena implementação da EUDR, esses desafios continuam. Em 2025, a UE se comprometeu a simplificar determinados aspectos da regulamentação, divulgando novas diretrizes e consultando diferentes países para melhorar a EUDR. Uma das adições mais esperadas foi o sistema de benchmarking, que classifica os países conforme o risco de desmatamento associado à produção das commodities reguladas.
No entanto, enquanto países como a China e os Estados Unidos foram classificados como de baixo risco, o Brasil ficou na categoria de risco padrão, o que gerou descontentamento por parte do governo e das empresas. Críticas a essa classificação incluem a aplicação de critérios que podem desconsiderar particularidades regionais e a qualidade dos dados utilizados.
Perante esses desafios, algumas ações são recomendadas: a UE deve revisar a EUDR e seus documentos de suporte e promover uma harmonização nas metodologias adotadas. Para o Brasil, é crucial melhorar a fiscalização e a aplicação das leis de proteção florestal.
Em suma, é essencial fortalecer continuamente as estruturas de proteção florestal, não apenas para atender à EUDR, mas também para avançar na luta contra o desmatamento em um contexto mais amplo.

